Saudades

Quero imitar o Neruda, porque ele lho disse primeiro:

Já és minha. Repousa com teu sonho em meu sonho.
Amor, dor, trabalhos, devem dormir agora.
Gira a noite sobra suas invisíveis rodas
e junto a mim és pura como âmbar dormido.
Nenhuma mais, amor, dormirá com meus sonhos.
Irás, iremos juntos pelas águas do tempo.
Nenhuma mais viajará pela sombra comigo,
só tu, sempre-viva, sempre sol, sempre lua.
Já tuas mãos abriram os punhos delicados
e deixaram cair suaves sinais sem rumo,
teus olhos se fecharam como duas asas cinzas.
Enquanto eu sigo a água que levas e me leva:
a noite, o mundo, o vento enovelam seu destino,
e já não sou sem ti senão apenas teu sonho...

O que fazer, se, a cada vista sua, estremeço? Se a cada vez que penso em você, me recolho como uma criança pequena em anseios não ditos?

Queria ter a coragem de dizer-lhe. Queria poder cheirar seus cabelos, tocar seus dedos... Queria derramar em você todo o meu desejo... E é tanto desejo, que me afogo só no ar aos galopes que me cavalgam o peito quando lhe vejo...

Um dia, quem sabe, um dia...

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