Aventura (in)culta

Meu bem,

a saudade é muita. Tremenda.
Você se instalou como uma moldura em meus sentidos e a cada vez que percebo o mundo, minha experiência passa, antes, pela experiência da possibilidade de você.
Notei isso extremamente no dia de ontem, quando olhava por uma janela. Cada rua do centro da cidade me parece procurar os seus contornos. Cada esquina abriga uma inconstância em lhe rever. Queria andar por elas na madrugada, quando o ar do mar invade o asfalto, com uma brisa fresca, e fantasiar você, seu andar, seu olhar. Seu olhar...
Há um mistério em seu olhar _ coisa que estou longe de compreender. Das vezes que mirei-lhe, seus olhos pareciam poços profundos, naquele escuro turvo e enigmático de quem não sabe se guarda ou se ri ou se cala ou.
Penso em seus olhos durante longas horas e, entre uma tarefa e outra, essa lembrança me arranca uns suspiros solitários. Sei que dediquei-lhe algumas músicas eruditas por essas folhas daqui, mas não poderia me furtar em falar-lhe de um samba pobre, mas longe de ser pobre (e já que comecei minhas confissões com o Rei, não vejo impedimentos em dedicar-lhe um samba). Aliás, essa música da qual falo, do Paulinho da Viola, está longe de ser menor do que algumas do Roberto. E, principalmente, ela roça meu peito no canto exato onde mora você: a nostalgia de algo que não possuo.


"O vento na madrugada soprou
Trazendo alívio pro meu sofrimento
Sentindo a falta do meu grande amor
Eu segurei minha dor em silêncio
Amanheceu e o sol reforçou
Aquele fogo queimando em meu peito
A ilusão já se desfez
E ainda restou
Teu nome em chamas
No meu pensamento (o vento)
Só ficou a impressão
De um belo sonho
Que surgiu e de repente terminou
Enquanto houver esta saudade no meu peito
Só me resta
Lançar ao vento a minha dor"


Quem sabe nos veremos em breve...


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