Carta III - Quando o Rei Roberto entra em cena

Minha querida,

queria ser amigo do rei, para roubar uma música dele que me faz lembrar você _ e na qual encontrei vários sentimentos enlaçados com os meus, apesar de nunca ter tido você em nenhuma esfera, além dos sonhos. Compreendo que possa achar um Roberto Carlos o cara mais brega do mundo, mas se eu transformasse a música dele em letra corrida, em uma narrativa, ela sairia até bonitinha. E, se é de narrativas que você gosta, me dê a chance de ler este pedacinho:
"Você foi dos amores que eu tive, o mais complicado e o mais simples pra mim. Você foi o melhor dos meus erros, a mais estranha história que alguém já escreveu. E é por essas e outras que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez. (...) Resolvi te querer, por querer. Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade, sem nada a perder. (...) Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter; só assim sinto você bem perto de mim outra vez".
É isso.
Acho que o rei assimilou bem o que sinto quando penso em você. Acho que as composições e as dores do amor devem ser universais.
Você é aquele amor inexplicável que passou por mim e que eu trago à vida a cada vez que decido lembrar dos seus cabelos, dos seus vestidos, dos seus dedos.
É aquela tristeza resignada, aquela alegria sufocada que guardo numa gaveta do meu coração, como se algum dia pudesse ser resgatada, limpa, polida e libertada num encontro de amor.
Você é... mas o rei canta que você foi... foi, assim, no passado, com um ar mais nostálgico e melancólico do que eu gostaria. Contudo, você, para mim, não foi. Você é. É a possibilidade. É um sopro de beleza na minha vida tão mundana, tão trivial. É uma mostra de que viver vale a pena, nem que seja só para lembra-la a cada fim de tarde, quando escrevo, contemplativamente, à sombra da lembranças.
Das lembranças que eu trago na vida, você é, definitivamente, a saudade que eu gosto de ter...

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