Amanhecer glorioso
Minha cara,
finalmente vi você!
Estava eu na fila do mercado, quando aconteceu. De compras, nada de tão importante: o que eu queria mesmo era estar no mesmo mercado em que vi você de outras vezes, para, quem sabe, poder trombar meu carrinho no seu. Deus estava do meu lado, porque, de fato, tive a chance de quase falar-lhe. Quase.
A bem da verdade, quando você entrou eu já estava de saída. Passei longos minutos medindo os corredores, no desejo de lhe reencontrar, mas parecia que as esperanças morreriam ali. "Não tem problema", pensei eu, "sempre haverá cebolas para comprar amanhã, ou qualquer coisa que valha". E eu voltaria noutro dia. Noutro. Noutro. Enfim, quando cheguei ao caixa, a sua figura reluziu à minha frente: estava chegando quando eu saía. Fiquei sem reação. Olhei-a fixamente, na esperança de que me olhasse de volta. Nada. Você passou tão rápida, com o senho franzido. Não parecia a mesma pessoa que eu vira há tempos atrás. Seu semblante preocupado me dizia que alguma coisa acontecera; você parecia léguas distante da tranquilidade costumeira. Meu coração entristeceu-se e eu perdi completamente o rumo. Queria muito perguntar-lhe qualquer coisa, só para que me notasse ali, mas tive medo. Não parecia o momento certo. Precisei de dois agonizantes minutos na fila para perceber que deveria correr atrás de você: se eu não o fizesse, poderia perder-lhe novamente. E se nunca mais a visse? Decidido, saí da fila e procurei sua figura pelo mercado, gôndola a gôndola, sempre achando que lhe encontraria na próxima. Mas, onde estaria você?
Fiquei atordoado. Pensei que alucinara sua imagem adentrando o mercado. Você não estava em lugar nenhum. Cabisbaixo, voltei à fila, agora maior, com as mesmas bobagens dentro do carrinho de compras. Ainda com as mãos trêmulas e a respiração arfante, dei olhadelas para trás, para ver se você reapareceria. Em vão. E quando passava as compras, você surgiu novamente; mais uma vez como se reentrasse no mercado! Será que eu alucinara você da primeira vez, preparando o peito para a segunda? Esquecera alguma coisa no carro (se é que você tem carro) ou em casa (se é que mora nas redondezas)?
Eu estava preso entre o caixa e você. Precisava pagar as compras, ou correria o risco de ser investigado como um bizarro. Não poderia retornar ao supermercado para buscar-lhe. Os minutos passaram arrastados, até que guardei as compras no carro e fiz um pouco de hora na saída, para ver se lhe avistaria. Quando finalmente passei pela cancela, você apareceu, linda, com seu semblante triste, carregando algumas sacolas. Quis lhe acompanhar de carro, mas não saberia o que lhe dizer, acaso percebesse. Perdi o compasso e acabei indo embora.
Minha noite, perturbada, foi inundada por pensamentos em você. Seus dedos, sempre seus dedos...
O que sinto, não sei bem o que é, mas me invade de tal forma que há sinais físicos em meu corpo. Tremo só de pensar em dividir o mesmo cômodo com você. Tamanha felicidade roça meu rosto quando penso na possibilidade de um sorriso seu, que temo ter que ir ao real e receber uma negativa.
Ontem foi um alento, só de saber que aquela viagem no aeroporto não foi para sempre. Mas será que você ainda irá embora antes de eu conseguir lhe dizer?
finalmente vi você!
Estava eu na fila do mercado, quando aconteceu. De compras, nada de tão importante: o que eu queria mesmo era estar no mesmo mercado em que vi você de outras vezes, para, quem sabe, poder trombar meu carrinho no seu. Deus estava do meu lado, porque, de fato, tive a chance de quase falar-lhe. Quase.
A bem da verdade, quando você entrou eu já estava de saída. Passei longos minutos medindo os corredores, no desejo de lhe reencontrar, mas parecia que as esperanças morreriam ali. "Não tem problema", pensei eu, "sempre haverá cebolas para comprar amanhã, ou qualquer coisa que valha". E eu voltaria noutro dia. Noutro. Noutro. Enfim, quando cheguei ao caixa, a sua figura reluziu à minha frente: estava chegando quando eu saía. Fiquei sem reação. Olhei-a fixamente, na esperança de que me olhasse de volta. Nada. Você passou tão rápida, com o senho franzido. Não parecia a mesma pessoa que eu vira há tempos atrás. Seu semblante preocupado me dizia que alguma coisa acontecera; você parecia léguas distante da tranquilidade costumeira. Meu coração entristeceu-se e eu perdi completamente o rumo. Queria muito perguntar-lhe qualquer coisa, só para que me notasse ali, mas tive medo. Não parecia o momento certo. Precisei de dois agonizantes minutos na fila para perceber que deveria correr atrás de você: se eu não o fizesse, poderia perder-lhe novamente. E se nunca mais a visse? Decidido, saí da fila e procurei sua figura pelo mercado, gôndola a gôndola, sempre achando que lhe encontraria na próxima. Mas, onde estaria você?
Fiquei atordoado. Pensei que alucinara sua imagem adentrando o mercado. Você não estava em lugar nenhum. Cabisbaixo, voltei à fila, agora maior, com as mesmas bobagens dentro do carrinho de compras. Ainda com as mãos trêmulas e a respiração arfante, dei olhadelas para trás, para ver se você reapareceria. Em vão. E quando passava as compras, você surgiu novamente; mais uma vez como se reentrasse no mercado! Será que eu alucinara você da primeira vez, preparando o peito para a segunda? Esquecera alguma coisa no carro (se é que você tem carro) ou em casa (se é que mora nas redondezas)?
Eu estava preso entre o caixa e você. Precisava pagar as compras, ou correria o risco de ser investigado como um bizarro. Não poderia retornar ao supermercado para buscar-lhe. Os minutos passaram arrastados, até que guardei as compras no carro e fiz um pouco de hora na saída, para ver se lhe avistaria. Quando finalmente passei pela cancela, você apareceu, linda, com seu semblante triste, carregando algumas sacolas. Quis lhe acompanhar de carro, mas não saberia o que lhe dizer, acaso percebesse. Perdi o compasso e acabei indo embora.
Minha noite, perturbada, foi inundada por pensamentos em você. Seus dedos, sempre seus dedos...
O que sinto, não sei bem o que é, mas me invade de tal forma que há sinais físicos em meu corpo. Tremo só de pensar em dividir o mesmo cômodo com você. Tamanha felicidade roça meu rosto quando penso na possibilidade de um sorriso seu, que temo ter que ir ao real e receber uma negativa.
Ontem foi um alento, só de saber que aquela viagem no aeroporto não foi para sempre. Mas será que você ainda irá embora antes de eu conseguir lhe dizer?
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