Confissões de um amedrontado
Querida,
Leio Tristão e Isolda e penso em você. Leio Romeu e Julieta e penso em você. Leio As Confissões do Jovem Werther e, irrestritamente, penso em você. Todos os literários amores repletos de ânsia e entrega são só mais um refúgio para a profusão de sentimentos que nutro pela sua figura frágil-forte, de vestidos longos e cabelos curtos, que desapareceu das ruas.
Hoje venho à folha como um crente desce de joelhos ao confessionário. Preciso lhe falar. Acima disso, preciso ouvir o que preciso lhe falar, para diminuir a tensão que teima sob minha pele. A verdade é essa: nesta manhã me senti aliviado por não ter encontrado você nas últimas semanas.
Não, querida, não pense que meu amor arrefeceu. Pelo contrário. Ando como um lobo à solta, irracionalmente à sua busca e ignorando as leis dos homens. Carrego comigo uma tristeza e uma aspereza que não me são irmãs de costume e, além de tudo, há tanto em meu peito para lhe dizer que temo despejar sobre você toda a desconexão que a sua figura me inflige.
Contudo, preciso cuidar de mim se quiser chegar a você. Preciso domar as ondas altas que revolvem-me as vísceras sempre que penso em você. O que teria eu a lhe enriquecer assim? O que lhe traria, senão a desconfiança e a loucura? Tivesse um refúgio noutra cidade, fugiria para lá e tentaria ler um livro que não fosse de amor. Faria um estágio enfermo, como em A Montanha Mágica, sem a doença letal (minha doença letal é a paixão nunca ainda declarada).
Ah, mulher, como me queima esse desejo de que seja minha!
Leio Tristão e Isolda e penso em você. Leio Romeu e Julieta e penso em você. Leio As Confissões do Jovem Werther e, irrestritamente, penso em você. Todos os literários amores repletos de ânsia e entrega são só mais um refúgio para a profusão de sentimentos que nutro pela sua figura frágil-forte, de vestidos longos e cabelos curtos, que desapareceu das ruas.
Hoje venho à folha como um crente desce de joelhos ao confessionário. Preciso lhe falar. Acima disso, preciso ouvir o que preciso lhe falar, para diminuir a tensão que teima sob minha pele. A verdade é essa: nesta manhã me senti aliviado por não ter encontrado você nas últimas semanas.
Não, querida, não pense que meu amor arrefeceu. Pelo contrário. Ando como um lobo à solta, irracionalmente à sua busca e ignorando as leis dos homens. Carrego comigo uma tristeza e uma aspereza que não me são irmãs de costume e, além de tudo, há tanto em meu peito para lhe dizer que temo despejar sobre você toda a desconexão que a sua figura me inflige.
Contudo, preciso cuidar de mim se quiser chegar a você. Preciso domar as ondas altas que revolvem-me as vísceras sempre que penso em você. O que teria eu a lhe enriquecer assim? O que lhe traria, senão a desconfiança e a loucura? Tivesse um refúgio noutra cidade, fugiria para lá e tentaria ler um livro que não fosse de amor. Faria um estágio enfermo, como em A Montanha Mágica, sem a doença letal (minha doença letal é a paixão nunca ainda declarada).
Ah, mulher, como me queima esse desejo de que seja minha!
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